Aquário é uma coisa boa?

Aquário é uma coisa boa?Aquário é uma coisa boa?A resposta é: depende. Depende das atitudes do aquarista. Se ele deixar os peixes mal-alimentados, doentes ou estressados, se adquirir espécies ameaçadas ou ilegais, ou de modo geral colaborar com práticas associadas com a destruição de recifes de corais, então aquele aquarista estará contribuindo para um aquarismo muito ruim. Agora, se ele der preferência para organismos que possuem origem sustentável (aquicultura ou coleta sustentável), oferecer um ambiente que os permitam viver em boas condições e (o mais importante!) utilizar o aquário como uma ferramenta de conscientização para os problemas que os recifes vem sofrendo, daí sim será um bom aquarismo! E isto vale não só para aquários privados – mas para os públicos também!


Cianeto


Cyanide Fishing – An ecological travesty Photo: ViceCyanide Fishing – An ecological travesty Photo: VicePrezados, infelizmente muitos dos peixes que colocamos em nossos aquários são coletados com cianeto. Essa prática é permitida em alguns países exportadores e consiste em borrifar cianeto de sódio na toca aonde está o peixe. O cianeto deixa o peixe torpe, facilitando a sua coleta; mas também é letal para os invertebrados ao redor da toca. Além disso, ao se acumular no tecido do peixe freqüentemente o leva à morte algumas semanas depois. Portanto, DIGA NÃO À COLETA COM CIANETO - vamos cobrar de lojistas e distribuidores que saibam nos informar se o peixe foi coletado com cianeto ou não. 


Quarentena

Quarentena!Quarentena!Prezados aquaristas, a maioria dos peixes que colocamos em nossos aquários vêm dos recifes de corais, um ambiente frágil e ameaçado. Tristemente, além de muitos morrerem na coleta e/ou transporte, muitos morrem pela falta de cuidado dos aquaristas no combate às doenças. Portanto, fazer uma quarentena profilática para evitar a proliferação de Ictio, Oodinium e Brooklynella, é uma obrigação moral dos aquaristas para com os recifes de corais. Existem muitos protocolos de quarentena, e os dois da Eco-Reef se encontram aqui: (http://www.ecoreef.com.br/index.php/blog/58-protocolo-de-quarentena e http://www.ecoreef.com.br/index.php/blog/64-protocolo-de-quarentena-2)


Atol das Rocas

Atol das Rocas (ramsar.org)Atol das Rocas (ramsar.org)O Atol das Rocas é o único atol do Brasil e também o único atol do Atlântico Sul (para quem não sabe o que é um atol: http://www.ecoreef.com.br/index.php/blog/44-tipos-de-recifes-de-corais). Possui uma grande variedade de espécies de corais brasileiros e também uma bela população de tubarões-limão, o Negaprion brevirostris. É uma maravilha natural do nosso país, e não devemos medir esforços para preservá-lo.


Anfípodes e isópodes

Amphipoda e IsopodaAmphipoda e IsopodaEsses são organismos bastante abundantes em aquários e frequentemente chamados de copépodes. Mas são coisas bem diferentes. O da esquerda é um anfípode (amphi poda = “pés diferentes”) e o da direita é um isópode (iso poda = “pés iguais”), nomeados de acordo com as características de seus apêndices. São bentônicos (não são “plâncton”!). Por serem do grupo Peracarida, possuem desenvolvimento direto (ausência de estágios larvais, que nem os humanos). São remineralizadores de matéria orgânica e portanto muito benéficos aos aquários.


Gramma

Gramma loreto x G. brasiliensisGramma loreto x G. brasiliensisSabem quem são esses peixes? O da esquerda é o Gramma loreto, um peixe típico do Caribe e ocasionalmente é (legalmente) importado para o Brasil. O da direita é o Gramma brasiliensis, uma espécie ameaçada e endêmica do Brasil. Coletar e/ou vender o G. brasiliensis é crime ambiental. Portanto, nunca comprem esse organismo e denunciem o comércio ilegal. As diferenças são fáceis de se perceber: o G. loreto apresenta um degradê do roxo para o amarelo e a faixa no rosto do G. brasiliensis é restrita ao olho.


Filtro UV e ozônio contra doenças

http://www.americanaquariumproducts.com/15WattUVSterilizer.htmlhttp://www.americanaquariumproducts.com/15WattUVSterilizer.htmlAs doenças Amyloodinium ocellatum, Cryptocaryon irritans (ictio) e Brooklynella hostilis são grandes vilãs dos aquaristas. Muitas pessoas empregam o uso de filtros ultravioleta e ozônio no combate à elas. No entano, a Eco-Reef não os recomenda pois a sua eficácia é baixa. Os principais motivos:

- Para funcionar adequadamente, esses filtros precisam de uma filtragem mecânica (de preferência até 1 µm) antes de a água passar por eles. Senão a partícula é muito grande e fica difícil neutralizar o que está no centro dela. No entanto, empregar filtros mecânicos antes de filtros esterilizadores em aquário é bem difícil, especialmente pela dificuldade em equilibrar os fluxos de entrada e saída.

- A potência/intensidade da lâmpada/equipamento deve ser regulada de acordo com o patógeno. Uma regulação qualquer e arbitrária não irá combater todas as doenças.

- A velocidade que o fluxo deve passar pelo filtro deve ser razoavelmente baixa, senão o seu tempo para neutralizar o patógeno diminui muito.

- TODA a água do display deve passar pelos filtros antes ir para o sump; ou então ao subir do sump para o display. Caso contrário, os patógenos terão um caminho livre entre o sump e o display.

 

Mas ainda assim, há o principal e fatal problema: essas doenças possuem um estágio de vida bentônico - ao se despredenderem do peixe, vão para o substrato sem passar por quaisquer filtros que estejam no sump.

 

Portanto, UV e ozônio são úteis - para combater organismos que fiquem o tempo todo suspensos na coluna d'água, como certos tipos de bactérias e microalgas. Mas infelizmente não é o caso dessas doenças...


A Grande Barreira de Corais está morrendo!

https://en.wikipedia.org/wiki/Great_Barrier_Reefhttps://en.wikipedia.org/wiki/Great_Barrier_ReefPrezados, a Grande Barreira de Corais é um patrimônio da humanidade. Com 2.000 km de extensão, foi produzida por corais e pode inclusive ser vista do espaço! No entanto, com os efeitos combinados de aquecimento global, acidificação dos oceanos, sobrepesca e poluição, mais de 90% dela já foi afetada. Lembremos que milhões de pessoas dependem diretamente dos recifes de corais para a sua sobrevivência. Portanto, vamos proteger o meio ambiente, reduzir emissão de CO2 e não poluir!


Recifes de algas calcáreas

(http://waittfoundation.org/postsarchive/discovery-eastern-brazil-is-home-to-the-largest-rhodolith-bed-in-the-world/)(http://waittfoundation.org/postsarchive/discovery-eastern-brazil-is-home-to-the-largest-rhodolith-bed-in-the-world/)Existem recifes de diversos tipos: de corais, de ostras, de poliquetos e de vários outros animais. Mas poucos conhecem os bancos de rodolitos, que são os recifes de algas calcáreas. São ambientes riquíssimos em depósitos de cálcio e muito abundantes no Brasil. Temos eles muito bem distribuídos em nossa plataforma continental, com destaque para os rodolitos de Guarapari, Abrolhos e, recém-descoberto, na foz do Rio Amazonas!


Manguezais

(https://www.iucn.org/news/forests/201706/mapping-global-mangrove-restoration-potential)(https://www.iucn.org/news/forests/201706/mapping-global-mangrove-restoration-potential)Manguezal é um ambiente de água salobra, constituído por árvores adaptadas à presença de sal na água. No Brasil, temos três tipos de árvores dominantes: Avicennia spp. (mangue-negro), Laguncularia racemosa (mangue-branco) e Rhizophora mangle (mangue-vermelho). Manguezais são ricos em matéria orgânica e são um berçário para inúmeras espécies de peixes e invertebrados. Portanto, apesar da aparência (e ocasionalmente cheiro) pouco convidativos, são ecossistemas de crucial importância para a manutenção da vida marinha. Por conta disso, manguezais são protegidos por todo o mundo.